A aprovação da greve por tempo indeterminado pelos trabalhadores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), no Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), revela o aprofundamento do impasse entre a categoria e a empresa. A paralisação, marcada para começar às 18h do dia 2 de abril, terá alcance nacional e ocorre após sucessivas tentativas frustradas de negociação.
A expectativa de avanço nas tratativas, especialmente após reunião no Tribunal Superior do Trabalho (TST) em 31 de março, não se concretizou. As propostas apresentadas foram consideradas insuficientes, o que levou os trabalhadores, já no dia seguinte (1º de abril), a reafirmarem em assembleia a decisão pela greve.
O movimento escancara insatisfações antigas. Entre elas, a falta de valorização profissional, condições de trabalho consideradas inadequadas e perdas salariais acumuladas. A reivindicação por recomposição inflacionária e ganho real de salário aparece como ponto central, mas não isolado: a pauta inclui também a revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e direitos específicos, como férias ampliadas para trabalhadores expostos à radiação.
Durante a mediação conduzida no TST, a empresa apresentou inicialmente uma proposta de reajuste correspondente a 80% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), percentual visto como insuficiente diante da inflação acumulada. Em nova rodada, avançou para 100% do índice no período de junho de 2025 a maio de 2026, com efeitos financeiros a partir da data-base, em junho de 2026, além da manutenção das cláusulas sociais e inclusão de novos pontos.
Ainda assim, a proposta não foi suficiente para conter a mobilização. Para a Condsef/Fenadsef, o impasse vai além dos índices e reflete a ausência de avanços concretos nas chamadas cláusulas sociais — justamente aquelas que impactam diretamente o cotidiano de trabalho nos hospitais.
Apesar da decisão pela paralisação, o movimento busca se equilibrar entre pressão e responsabilidade. O Comando Local de Greve afirma que pretende negociar com a direção hospitalar para garantir o funcionamento dos serviços essenciais, como urgência e emergência, evitando prejuízos mais graves à população.
Nos bastidores, a orientação das entidades sindicais é clara: manter o diálogo com a administração local para organizar escalas mínimas e reduzir o risco de judicialização do movimento. Ainda assim, o cenário aponta para dias de tensão, com impacto potencial na rede hospitalar administrada pela Ebserh.